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Dupla colisão


Material necessário:

Fundo de papel bege amassado

Recipiente azul

Colar de metal para compor a cena

Gotejador eletrônico duplo ou triplo (para essa foto serão usados 2 gotejadores)

Câmera com lente macro e tripé

Sensor de raios infravermelhos com 1 flash mestre e 2 escravos

 

Grau de dificuldade: 6 Coloquei 6 apenas pela dificuldade de adquirir o gotejador pois com ele, é muito fácil conseguir colisões

 

Passo-a-passo:

Câmera no tripé (como sempre). Vamos montar o set com o fundo bege, de cabeça para baixo, e um recipiente azul transbordando de água. O enquadramento será somente a parte de cima do recipiente e um pedaço do fundo. Usaremos o sensor de infravermelho com seu flash mestre e mais 2 que dispararão por fotocélula - 2 flashes para o fundo e um para a água. O sensor de infravermelho será posicionado logo abaixo do primeiro gotejador eletrônico, para que a gota passe, rompa o feixe de raios infravermelhos, caia na água e depois suba. (Veja a foto do making of). Câmera no modo manual, foco manual (como sempre), câmera na velocidade 2 ou 3 segundos, f.22 (como sempre) e flash em 1/64 da potência (como sempre). Deixe o iso em 100 mas se a foto estiver escura, aumente para 200, depois 400, depois 800, até a exposição ficar boa.

Faça o foco previamente exatamente onde a gota vai cair. Use o centro do recipiente como guia. Eu usei um lápis para fazer o foco. Ligue o sensor e teste com o dedo. Aqui entra o gotejador eletrônico. Ao invés de gotejar manualmente como nas outras sessões, vamos usar um gotejador eletrônico.

Estou usando meu gotejador triplo, mas deixei o terceiro desligado então teremos somente 2 colisões. As regulagens do gotejador eletrônico são feitas no software instalado em um computador. As especificações são as seguintes:

Primeiro gotejador: uma primeira gota de tamanho 10 e depois de 80 milisegundos, uma segunda gota tamanho 10.

Segundo gotejador: uma primeira gota de tamanho 30 e depois de 80 milisegundos, uma segunda gota tamanho 30.

Em ambos colocaremos água. A diferença no tamanho das gotas é para que tenhamos colisões de formas diferentes. Como estamos usando um aparelho eletrônico, a chance da colisão acontecer é de quase 100%. Ainda assim, é preciso ver se os flashes estão disparando no momento da colisão

Faça um teste. Baixe as luzes, dispare a câmera, dê o start no software para que o gotejador lance as gotas  e espere a câmera fechar. Veja o resultado. Se estiver pegando a coroa, aumente o delay do sensor até achar o momento da colisão. Quanto mais altura tiver seu suporte, mais a gota demora pra cair na água e, portanto, mais tempo de delay é necessário. É preciso uma altura mínima de uns 50 centímetros para que o gotejador funcione corretamente.

 

Dicas:

Comece com apenas um gotejador ligado e uma única gota e ache as configurações. Quando você estiver capturando o rebote da primeira gota, adicione a segunda. Só depois adicione o segundo gotejador e, se quiser, o terceiro.


Solução de problemas:

Os flashes não estão disparando: verifique se os potenciômetros não estão topados nas extremidades, veja se o ambiente está escuro o suficiente para que seu dedo ou a gota seja capaz de cortar o feixe de raios infravermelhos, verifique as pilhas dos flashes e obviamente se o aparelho está ligado. Pode ser também que os dois sensores de raios infravermelhos não estejam alinhados e, portanto, o f eixe de luz não esteja sendo transmitido.

O foco na gota está ruim: refaça o foco quantas vezes forem necessárias e experimente diversos objetos como prendedores de roupa de varal, régua, lápis até se adaptar a um deles. A precisão do foco deve ser cirúrgica e, sempre que você mexer na câmera refaça o foco. Quanto menor a abertura do diafragma, mais profundidade de campo você terá. Tente se manter em f.22.

Na foto a água está parada, nada de movimento de gotas: seu delay deve estar muito pequeno ou muito grande pois, ou a gota ainda nem caiu ou ela já caiu, já subiu e já sumiu no pote de água. Teste as varições do potenciômetro do delay até "achar" a gota no enquadramento. Menos delay = coroa. Mais delay = pilar de água com gota no topo.

A foto está muito clara ou muito escura: como não podemos mexer na potência dos flashes nem na abertura do diafragma, nos resta o iso (se a foto estiver escura, aumente o iso e se estiver clara, diminua) ou mude a posição dos flashes (se a foto estiver escura, aproxime os flashes e se estiver clara, afaste).

Se o movimento estiver com rastro: seus flashes podem estar numa potência alta e, portanto, produzindo uma luz lenta. Coloque seus flashes em 1/64 de potência para ter uma luz fraca, porém rápida, em torno de 1/30.000 segundo. O flash em 1/1 de potência geralmente produz uma luz de 1/1.000 segundo que é muito lenta para congelar gotas. Pode ser também que esteja havendo interferência da luz ambiente. Apague as luzes.

Não estou capturando a colisão: pode ser que as configurações no software não estejam corretas. Partimos de uma configuração padrão indicada pelo fabricante: gotas de tamanho 20 com intervalo de tempo entre a primeira e a segunda de 80 milisegundos. Mas isso depende da altura que está o gotejador, do líquido que você estiver usando e de algumas outras variáveis. Você vai ter que achar a configuração para sua colisão. Depois de achar os números, você pode variar tamanho de gotas, intervalo e quantidade de gotas buscando novas formas.

A segunda gota não cai sobre o rebote da primeira: o gotejador não está reto. Arrume e prenda bem com fita para que ele não se mexa.


 

Sobre o sensor de raios infravermelhos:

É um aparelho caseiro que serve para que os flashes sejam disparados no exato momento que a gota está em quadro. A maior dificuldade das fotos de splash é bater a foto no momento certo. Tudo acontece em uma pequena fração de segundo que o olho humano não percebe. Com o uso do aparelho, a própria gota de água é o gatilho dos flashes e são eles que congelam o movimento. A técnica é feita em um ambiente escuro para que possamos deixar a câmera aberta por alguns segundos sem que a luz ambiente interfira na fotografia. A câmera deve capturar somente a luz dos flashes que deve durar apenas em torno de 1/30.000 de um segundo.


Sobre o gotejador eletrônico:

É uma aparelho eletrônico fabricado por algumas empresas estrangeiras feito exatamente para fotografar splashes. O meu é da marca Cognysis.Inc e funciona perfeitamente bem. Ele vem com seu próprio sensor de infravermelho mas eu me adaptei melhor ao meu sensor e uso o gotejador apenas para gotejar. Nada fica ligado a câmera e, por isso, tudo é feito em ambiente escuro.



Making of



Outras fotos



andrea@andrealaybauer.com